Quando não existia e-mail, não se falava em internet, pouco se sabia de computadores, bit's entre outros overdrives. Era um tempo em que se esperava ansiosamente pelo carteiro, onde telefones em residências eram artigos de luxo, e o sonho da classe média era um monza quatro portas.
O tempo é outro...hoje em pleno ano de 2009, a informação pipoca por todos os cantos. Não precisa mais grudar o rádio em uma ou duas fm's especializadas, ficar acordado de madrugada para ver quatro videoclipes, esperar dois meses para chegar um disco importado encomendado. Em tempos de mp3, downloadings, myspace, a ordem é outra e que bom que agora, finalmente é outra...
Muita coisa mudou. Com o advento da informação na era digital, a música independente se fortalece e isso, da margem para o surgimento de outras formas de difusão , comunicação e novas midias. As Web Rádio, destacam-se entre estas.
Hoje vou falar sobre algo novo, que conheci a pouco e me chamou bastante atenção. Trata-se da ETBK web radio, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Com a sua grade voltada para a musica independente local e nacional. Comandada por Mario Pertile se transformou em referência para quem procura sair do esquemão das rádios viciadas em jabás, merchans, spots estridentes e locutores de corrida de cavalo.
Mario Pertile, Diretor de Programação da Rádio veio a este espaço para falar dos caminhos da rádio.
Muita coisa aconteceu dos anos 80 pra cá e continua acontecendo. Existem “cenas” pontuais, muitas isoladas, muitas passageiras e poucas que realmente vingam. Essas geralmente são de grupos que levam a música a sério e procuram formas auto-sustentáveis de sobrevivência. O que ocorre muito aqui no sul, especificamente em Porto Alegre, são cenas formadas e desfeitas em razão de aberturas e fechamentos de estabelecimentos, tanto no que diz respeito a estúdios quanto à casas noturnas. Muitas vezes as coisas estão bombando em um certo ponto e quando este ponto fecha, o movimento se retrai e começa a se pulverizar em busca de um novo local para fomentar o seu trabalho.
No geral, existe um misticismo em relação ao rock gaúcho, que serviu como uma alavanca no final da década de 90 inicio dos anos 2000, e que realmente foi muito bom para que o famigerado “Rock Gaúcho” derrubasse fronteiras. Porém isto ficou estigmatizado de tal forma que virou sinônimo de bandas de rock estilo anos 70, ou de que possui um estilo como alguns chamam por aqui, “gravatinha” ou “jaquetinha”, rotulando mais pelo estilo do que pela música em si. Óbvio que estas bandas existem e são bandas de muita qualidade. Mas o ponto fundamental é que não é só isso que acontece no sul do Brasil. Existem muitas (muitas mesmo) bandas de estilos únicos e inconfundíveis, bem como rock de todos os gêneros, comerciais ou independentes, que devem ser observadas de forma individual, banda a banda, para depois poder se falar da “cena” sem um estigma estabelecido.
A cena atual hoje tem aquela mesma força? As características são outras?
Como mencionaste sobre os anos 80, a partir desta época, a cena era sinônimo de Força propriamente dita, pois além do Rock convencional, o movimento Punk aqui no sul era muito forte, citando como exemplo bandas como Os Replicantes, Pupilas Dilatadas, entre outras tantas grandes bandas que serviram de alicerce para a música underground por aqui. Hoje com a facilidade da web as bandas independentes, assim como em todo país e no mundo, utilizam esta ferramenta para sua divulgação, criando redes sociais de amigos e fãs, o que tem ajudado a manter na ativa (e muitas vezes até a retomada de bandas que haviam parado) a cena independente. Mas o significado de força daquela época, em uma opinião estritamente pessoal, perdeu um pouco o sentido, dando lugar à palavra Movimento.
Existem grupos, como o Extremo Rock Sul, realizando um trabalho excepcional e fundamental para a música independente, trabalhando pelo coletivo em prol de um bem comum: O reconhecimento da música independente como arte e acima de tudo, um trabalho honrado. Estes coletivos são de suma importância para que esta geração e as futuras tenham um espaço garantido para se manter na ativa frente a mídia convencional e a indústria fonográfica. É uma grande reformulação no modo de pensar e de agir das pessoas, tanto de quem toca, quanto de quem consome música e isso ainda vai levar um bom tempo. Mas é com atitudes pontuais que aos poucos um novo movimento baseado no coletivismo e apoio mútuo vai prosperar, tanto no sul, quanto no resto do país.
A EBTK ocupa um papel de referência dentro dessa cena alternativa? Como é a relação de vocês com as bandas que frequentam esse circuito?
A WebRadio EBTK é um veículo independente relativamente novo, entrou no ar dia 15 de maio deste ano, com a proposta de fazer frente ao mercado fonográfico atual que exige uma reformulação urgente. Desde esta data a audiência não foi menor que 1000 ouvintes/semana, e a cada semana este número aumenta aos poucos. O grande diferencial da EBTK é tocar só bandas independentes em seu playlist, que hoje conta com mais de 70 bandas de todo país. Seria arrogância de nossa parte dizer que ocupamos um papel de referência, pelo fato do pouco tempo de existência, mas o intuito da EBTK é criar uma rede de parcerias para facilitar o trabalho das bandas, angariando empresas que possam oferecer descontos em estabelecimentos para as bandas do playlist da rádio que forem seus clientes ou alguma outra forma de vantagem visando facilitar o trabalho dos músicos independentes.
Eu particularmente trabalho com produção de conteúdo e comunicação e na EBTK sou responsável pela direção de programação, em associação com Viviane Becker que cuida da parte de produção. Temos colaboradores espontâneos que aceitaram nosso convite e oferecem semanalmente programas de conteúdos específicos como Fitness, Variedades, Futebol, Negócios, Cinema e HQ, com o intuito de atrair esses públicos para que os mesmos conheçam os trabalhos das bandas independentes e deixem o velho preconceito de que banda independente faz som tosco ou de má qualidade. O que nos gratifica é que todas as pessoas que descobrem a EBTK passam a ser ouvintes assíduos, e existe um comentário recorrente: “Não sabia que bandas independentes faziam um som tão bom!”. Quando isso ocorre, somos tomados pela sensação de dever cumprido. Obviamente temos um projeto comercial para que a Web Radio possa se manter com as próprias pernas e cada vez mais trazer opções de programação à cena independente. Hoje é mantida com dinheiro e trabalho dos próprios colaboradores. Mas o que temos em mente como filosofia de trabalho é que a programação nunca, em hipótese alguma, poderá ser influenciada por algum patrocinador ou apoiador, sendo que as empresas que desejarem apoiar o projeto terão ciência desde o início de toda a ideologia imbuída nele e poderá escolher entre apoiar ou não. A EBTK vai funcionar independente de qualquer coisa.
Nossa relação com as bandas até então é de extrema parceria. Tanto com as bandas quanto com os coletivos (como o supracitado Extremo Rock Sul) que também estão aderindo ao projeto e dando a maior força para que ele perdure sempre da melhor forma possível. A maioria das bandas que convidamos na fase inicial aderiram ao projeto e vem indicando bandas colaboradoras à participar também. Fechamos parceria com um estúdio para produzir o programa Caixa de Som, que estréia dia 25 de julho às 21h, o carro chefe da programação nos próximos meses. O programa irá ao ar por temporadas e é uma banda por programa, um programa por semana, tudo gravado ao vivo sem cortes nem censura. Uma hora e meia com a banda no estúdio tocando seu som e contando a sua história com a idéia de mostrar aos ouvintes como funciona o ensaio daquela banda específica. Acreditamos ser um formato inovador no sentido de apresentação da banda, pois durante a gravação o microfone é liberado e a banda pode manifestar o seu trabalho e suas opiniões da forma que achar melhor. E tudo vai pro ar sem cortes. É neste momento também que temos o primeiro contato físico com os integrantes das bandas, pois até o momento todos os contatos foram feitos exclusivamente pela internet. A experiência tem sido gratificante para todos da equipe.
Aqui no sul é muito difícil conseguir espaços para tocar se tua banda não toca nas rádios. É o velho sistema que também precisa ser modificado onde a casa oferece o espaço em troca da venda de um número X de ingressos, que geralmente ficam encalhados e a banda acaba tendo que bancar do próprio bolso. É o “pagar pra tocar” escrito em tom de poesia. A EBTK já está desenvolvendo junto com a WoodsRock produções o “WoodsRock apresenta: Peleia do Rock EBTK”, um ciclo de shows mensais de bandas do playlist da WebRadio em um teatro com toda estrutura necessária para que a banda possa apenas chegar e tocar seu som. É mais um conquista para o mercado independente.
O tempo é outro...hoje em pleno ano de 2009, a informação pipoca por todos os cantos. Não precisa mais grudar o rádio em uma ou duas fm's especializadas, ficar acordado de madrugada para ver quatro videoclipes, esperar dois meses para chegar um disco importado encomendado. Em tempos de mp3, downloadings, myspace, a ordem é outra e que bom que agora, finalmente é outra...
Muita coisa mudou. Com o advento da informação na era digital, a música independente se fortalece e isso, da margem para o surgimento de outras formas de difusão , comunicação e novas midias. As Web Rádio, destacam-se entre estas.
Hoje vou falar sobre algo novo, que conheci a pouco e me chamou bastante atenção. Trata-se da ETBK web radio, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Com a sua grade voltada para a musica independente local e nacional. Comandada por Mario Pertile se transformou em referência para quem procura sair do esquemão das rádios viciadas em jabás, merchans, spots estridentes e locutores de corrida de cavalo.
Mario Pertile, Diretor de Programação da Rádio veio a este espaço para falar dos caminhos da rádio.
Muita coisa aconteceu dos anos 80 pra cá e continua acontecendo. Existem “cenas” pontuais, muitas isoladas, muitas passageiras e poucas que realmente vingam. Essas geralmente são de grupos que levam a música a sério e procuram formas auto-sustentáveis de sobrevivência. O que ocorre muito aqui no sul, especificamente em Porto Alegre, são cenas formadas e desfeitas em razão de aberturas e fechamentos de estabelecimentos, tanto no que diz respeito a estúdios quanto à casas noturnas. Muitas vezes as coisas estão bombando em um certo ponto e quando este ponto fecha, o movimento se retrai e começa a se pulverizar em busca de um novo local para fomentar o seu trabalho.
No geral, existe um misticismo em relação ao rock gaúcho, que serviu como uma alavanca no final da década de 90 inicio dos anos 2000, e que realmente foi muito bom para que o famigerado “Rock Gaúcho” derrubasse fronteiras. Porém isto ficou estigmatizado de tal forma que virou sinônimo de bandas de rock estilo anos 70, ou de que possui um estilo como alguns chamam por aqui, “gravatinha” ou “jaquetinha”, rotulando mais pelo estilo do que pela música em si. Óbvio que estas bandas existem e são bandas de muita qualidade. Mas o ponto fundamental é que não é só isso que acontece no sul do Brasil. Existem muitas (muitas mesmo) bandas de estilos únicos e inconfundíveis, bem como rock de todos os gêneros, comerciais ou independentes, que devem ser observadas de forma individual, banda a banda, para depois poder se falar da “cena” sem um estigma estabelecido.
A cena atual hoje tem aquela mesma força? As características são outras?
Como mencionaste sobre os anos 80, a partir desta época, a cena era sinônimo de Força propriamente dita, pois além do Rock convencional, o movimento Punk aqui no sul era muito forte, citando como exemplo bandas como Os Replicantes, Pupilas Dilatadas, entre outras tantas grandes bandas que serviram de alicerce para a música underground por aqui. Hoje com a facilidade da web as bandas independentes, assim como em todo país e no mundo, utilizam esta ferramenta para sua divulgação, criando redes sociais de amigos e fãs, o que tem ajudado a manter na ativa (e muitas vezes até a retomada de bandas que haviam parado) a cena independente. Mas o significado de força daquela época, em uma opinião estritamente pessoal, perdeu um pouco o sentido, dando lugar à palavra Movimento.
Existem grupos, como o Extremo Rock Sul, realizando um trabalho excepcional e fundamental para a música independente, trabalhando pelo coletivo em prol de um bem comum: O reconhecimento da música independente como arte e acima de tudo, um trabalho honrado. Estes coletivos são de suma importância para que esta geração e as futuras tenham um espaço garantido para se manter na ativa frente a mídia convencional e a indústria fonográfica. É uma grande reformulação no modo de pensar e de agir das pessoas, tanto de quem toca, quanto de quem consome música e isso ainda vai levar um bom tempo. Mas é com atitudes pontuais que aos poucos um novo movimento baseado no coletivismo e apoio mútuo vai prosperar, tanto no sul, quanto no resto do país.
A EBTK ocupa um papel de referência dentro dessa cena alternativa? Como é a relação de vocês com as bandas que frequentam esse circuito?
A WebRadio EBTK é um veículo independente relativamente novo, entrou no ar dia 15 de maio deste ano, com a proposta de fazer frente ao mercado fonográfico atual que exige uma reformulação urgente. Desde esta data a audiência não foi menor que 1000 ouvintes/semana, e a cada semana este número aumenta aos poucos. O grande diferencial da EBTK é tocar só bandas independentes em seu playlist, que hoje conta com mais de 70 bandas de todo país. Seria arrogância de nossa parte dizer que ocupamos um papel de referência, pelo fato do pouco tempo de existência, mas o intuito da EBTK é criar uma rede de parcerias para facilitar o trabalho das bandas, angariando empresas que possam oferecer descontos em estabelecimentos para as bandas do playlist da rádio que forem seus clientes ou alguma outra forma de vantagem visando facilitar o trabalho dos músicos independentes.
Eu particularmente trabalho com produção de conteúdo e comunicação e na EBTK sou responsável pela direção de programação, em associação com Viviane Becker que cuida da parte de produção. Temos colaboradores espontâneos que aceitaram nosso convite e oferecem semanalmente programas de conteúdos específicos como Fitness, Variedades, Futebol, Negócios, Cinema e HQ, com o intuito de atrair esses públicos para que os mesmos conheçam os trabalhos das bandas independentes e deixem o velho preconceito de que banda independente faz som tosco ou de má qualidade. O que nos gratifica é que todas as pessoas que descobrem a EBTK passam a ser ouvintes assíduos, e existe um comentário recorrente: “Não sabia que bandas independentes faziam um som tão bom!”. Quando isso ocorre, somos tomados pela sensação de dever cumprido. Obviamente temos um projeto comercial para que a Web Radio possa se manter com as próprias pernas e cada vez mais trazer opções de programação à cena independente. Hoje é mantida com dinheiro e trabalho dos próprios colaboradores. Mas o que temos em mente como filosofia de trabalho é que a programação nunca, em hipótese alguma, poderá ser influenciada por algum patrocinador ou apoiador, sendo que as empresas que desejarem apoiar o projeto terão ciência desde o início de toda a ideologia imbuída nele e poderá escolher entre apoiar ou não. A EBTK vai funcionar independente de qualquer coisa.
Nossa relação com as bandas até então é de extrema parceria. Tanto com as bandas quanto com os coletivos (como o supracitado Extremo Rock Sul) que também estão aderindo ao projeto e dando a maior força para que ele perdure sempre da melhor forma possível. A maioria das bandas que convidamos na fase inicial aderiram ao projeto e vem indicando bandas colaboradoras à participar também. Fechamos parceria com um estúdio para produzir o programa Caixa de Som, que estréia dia 25 de julho às 21h, o carro chefe da programação nos próximos meses. O programa irá ao ar por temporadas e é uma banda por programa, um programa por semana, tudo gravado ao vivo sem cortes nem censura. Uma hora e meia com a banda no estúdio tocando seu som e contando a sua história com a idéia de mostrar aos ouvintes como funciona o ensaio daquela banda específica. Acreditamos ser um formato inovador no sentido de apresentação da banda, pois durante a gravação o microfone é liberado e a banda pode manifestar o seu trabalho e suas opiniões da forma que achar melhor. E tudo vai pro ar sem cortes. É neste momento também que temos o primeiro contato físico com os integrantes das bandas, pois até o momento todos os contatos foram feitos exclusivamente pela internet. A experiência tem sido gratificante para todos da equipe.
Aqui no sul é muito difícil conseguir espaços para tocar se tua banda não toca nas rádios. É o velho sistema que também precisa ser modificado onde a casa oferece o espaço em troca da venda de um número X de ingressos, que geralmente ficam encalhados e a banda acaba tendo que bancar do próprio bolso. É o “pagar pra tocar” escrito em tom de poesia. A EBTK já está desenvolvendo junto com a WoodsRock produções o “WoodsRock apresenta: Peleia do Rock EBTK”, um ciclo de shows mensais de bandas do playlist da WebRadio em um teatro com toda estrutura necessária para que a banda possa apenas chegar e tocar seu som. É mais um conquista para o mercado independente.

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